Brindes de Cultura

Brindes de Cultura: Textos elaborados, dados concretos e opinião sobre Enologia, Vitivinicultura e agronomia

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Santa Maria, RS, Brazil
Acadêmico de Agronomia UFSM, atuando na área de Enologia e Vitivinicultura. Um homem de opinião.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A proteção da indústria vitivinícola nacional: A salvaguarda contra os vinhos importados



O anúncio da abertura de um processo de salvaguarda contra os vinhos importados está causando tumulto no mercado brasileiro. A Presidente Dilma Rousseff prometeu, na última Festa da Uva em Caxias do Sul, tomar providências previstas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) contra práticas comerciais “assimétricas e danosas” à indústria nacional.


Essas medidas que estão sendo tomadas no Brasil visam defender nossa indústria do ataque desses países, que querem suprimir a indústria nacional para não perder um nicho de mercado crescente. Em 2011, os importados dominaram 78,8% do mercado de vinhos finos no país.



Os países tradicionais estão de olho no mercado brasileiro e temendo o crescimento da indústria brasileira de vinhos. Dessa forma, procuram meios de burlar o sistema de impostos e introduzir o produto no mercado brasileiro se aproveitando de incentivos fiscais para quem exporta para o Brasil e subfaturando esses produtos. Essas são as práticas de “dumping”, que justificam as salvaguardas pelo governo brasileiro.


 Sendo assim, por mais que se invista no consumo ou baixe a carga tributária, fica impossível competir com os preços praticados por estes, ainda que se ofereça ou invista em qualidade. Após a publicação da abertura do processo de salvaguarda no Diário Oficial da União os países atingidos terão um tempo para apresentar defesa.

O prazo de salvaguarda, como uma política de preço mínimo e cotas aos importados, por exemplo, é importante para que se realizem investimentos no setor. 



Nesse período, treinamento e modernização do parque industrial das vinícolas, com apoio dos governos federal e estadual é primordial para o produto nacional equilibrar a competitividade com os importados tanto em qualidade quanto em preço.


28 comentários:

  1. Ou esse post é pago pelo Ibravin ou você é muito ingênuo!

    Salvaguarda do quê "cara pálida", se os vinhos chilenos, uruguaios e argentinos - que correspondem a mais de 60% das importações de vinho para o Brasil - não entram por conta dos acordos do Mercosul?

    "Essas medidas que estão sendo tomadas no Brasil visam defender nossa indústria do ataque desses países, que querem suprimir a indústria nacional para não perder um nicho de mercado crescente."

    Patético!

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    1. Meu caro, desculpa mas tenho certeza de que não estou sendo patético, e estou usando argumentos e não ignorância como você ao me chamar de patético.

      Pra início de conversa, vinhos argentinos e uruguaios sim entram pelo mercosul, mas não os chilenos, que possuem uma fatia de com 36,6% das importações de vinho pelo Brasil em 2011.

      Portanto, se quiser debater que seja de uma forma mais sensata e com conhecimento de causa e não usando de ignorância.

      A ingenuidade é sua, de pensar que os países produtores tradicionais, tanto chile como europa, são amiguinhos do Brasil e estão satisfeitos e contentes com o crescimento do setor e com a concorrência com o nosso país.

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    2. Só quem está achando ruim as medidas do governo, é quem trabalha com vinhos importados, pois estão com medo de diminuir o lucro, ou alguns consumidores com medo de ver o preço dos importados subir.

      Se a medida não afetaria a maior fatia das importações por causa do mercosul, por quê então se preocupar com ela? seria uma medida sem efeitos, não traria nenhum resultado.

      A salvaguarda vem sim para proteger a vitivinicultura nacional, e a dica para quem trabalha com vinhos importados é de começar a olhar para os rótulos nacionais, assim estaremos estimulando a cadeia produtiva, colocando capital no setor para que ele melhore e barateie cada vez mais. Quanto aos importados, quem quer um vinho importado que pague o preço justo, por vinhos selados e não contrabandeados ou subfaturados de alguma forma ilícita ou práticas comerciais assimétricas.

      att
      Leandro Ebert, que assina seus comentários.

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  2. Sua ingenuidade fica mais clara a cada linha publicada.

    Você e os mentores dessa ação esdrúxula se esqueceram do mais importante, que é o consumidor final. Ele deve ter livre escolha a preços justos - o que não temos hoje, e quanto mais beber, mais terá curiosidade por novas experiências, e buscará também o vinho nacional. Porém só o selo fiscal já provocou o fechamento de mais de 100 vinícolas familiares no Sul. Desse jeito, em breve teremos apenas 5 marcas no mercado, como na época anterior a abertura de mercados. Mas pelo seu nível de maturidade não deve saber do que estou falando...

    Sou grande defensor da redução de impostos em toda a cadeia de suprimentos do vinho brasileiro, onde 50% do seu preço final é constituído por impostos. Não é fazendo reserva de mercado que teremos melhores vinhos, e essa lenga lenga dos grandes produtores eu não engulo.

    Todos sairiam ganhando com a desoneração da cadeia de suprimentos do vinho, mas o governo gostou da proposta de reserva de mercado apresentada pelos grandes do setor pensando apenas em aumentar ainda mais a arrecadação. Sem incluir vinhos argentinos e chilenos no pedido de salvaguarda (?) onde se encaixa o discurso contrário ao contrabando do Ibravin? É muita falta de visão desses Berdinaze e Mezenga do vinho no Sul! É tiro no pé de um segmento que está se desenvolvendo! Querem ganhar muito dinheiro por 20 anos e atrasar toda uma cadeia de valores em 100! Lamentável, vergonhoso e muito questionável... Ainda estamos numa espécie de duelo ou cabo de guerra quase dois anos depois do anúncio deste selo que nunca pegou (vide ABBA). Serviu mesmo pra tirar do mapa pequenos produtores familiares do Sul que sem alternativas fecharam pois não conseguiram se adequar.

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  3. Não se trata de uma reserva de mercado, é claro que existem interessados em uma reserva para faturar com ela, porém o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) irá julgar a legitimidade do processo, agora em março. A salvaguarda é uma paleativa, e pode no máximo ter uma duração de 3 anos, o prazo também vai ser julgado.

    Também sou a favor da redução da tributação em toda a cadeia do vinho, inclusive sou a favor de incentivos fiscais aos pequenos produtores.Essa é uma luta paralela à questão da salvaguarda, pois sem ela, mesmo baixando impostos, fica impossível competir com preços subfaturados ou políticas assimétricas.


    Concordo também que o consumidor final deve ter escolha a preços justos, por isso a salvaguarda, devido à entrada de produtos subfaturados, como quando na nota fiscal diz que se trata de um vinho, mas ao abrir o que se tem são rótulos mais caros e de safras antigas, assim , pela nota fiscal pagam impostos mais baixos, isso tanto em portos quanto em estradas. Ou também com políticas dos países exportadores, que custeiam a exportação para o Brasil e outros países, como tu podes ler no texto do selo de controle fiscal aqui mesmo no blog.

    Pergunto, isso é concorrência a preços justos?

    ah e repito, se tu se atesse a ler não precisaria, vinhos chilenos entram sim na salvaguarda, e são os maiores atingidos.Quanto ao discurso contrário ao contrabando, o selo fiscal entra nessa questão.

    Se o governo não apoiar o setor produtivo do Brasil, seremos engolidos por esses países, que estão praticando essas políticas assimétricas para colocar o seu produto no Brasil e acabar com a concorrência brasileira, pois temem perder esse mercado. O processo será julgado, se comprovado que as políticas são danosas ao setor, o Brasil terá um prazo de salvaguarda para se recuperar e investir, após sim , teremos concorrência a preços justos, pois já teremos desmontado o esquema que agredia nossos produtores.

    lamento a sua agressividade no comentário, praticando ofensas a mim, ao governo e a todos, acho que não é dessa forma que vamos conseguir alavancar o setor e a redução da carga tributária.

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  4. O cidadão que se esconde atrás de um anonimato só pode ser filhote da ditadura que mamava nas tetas dos generais.Identifique-se ou cale-se seu preconceituoso, fazendo pouco de uma região do Brasil e denegrindo a imagem de uma entidade séria como o Ibravin.Parabéns preconceito e pedância escondidas na covardia de um anonimato.

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    1. Não existe anonimato Sr. Eduardo Zenker, não tenho informações de perfil no Blogger pois não uso o serviço e minha conta Google assina os comentários. Não mamava nas tetas dos generais e não mamo na teta do Estado. Sou contribuinte, pago meus impostos corretamente e em dia, por isso me sinto livre para criticar ações como essas e matérias nocivas à formação de opinião do consumidor final. Não tenho nada a esconder, também critiquei abertamente o post pelo Facebook onde meu nome e perfil aparecem para o autor deste blog. Me chamo Alain Ingles, até o fim do ano passado fui sócio em uma loja virtual de vinhos - onde já vendi vinhos nacionais selecionados, tal como a linha Maximo Boschi - e trabalho exclusivamente com vinhos importados da Europa por ser contrário à permissividade concedida a vinhos argentinos, chilenos e uruguaios. Se não há concordância no assunto em questão não hesito em afirmar que já havia passado por seu blog e que não conheço seus vinhos mas ideologicamente admiro sua postura não intervencionista como vinicultor, por exemplo usando SO2 de forma comedida.

      Sempre defendi o vinho brasileiro e acredito no seu potencial a longo prazo. Já expus parte suficiente de meus argumentos contrários ao Selo Fiscal e às justificativas vazias dessa proposta suicida dos pseudo-representantes dos produtores brasileiros mas não vou mais alimentar sofismos intermináveis. Não sei se o senhor comercializa seus vinhos com o Selo Fiscal, mas desde que o Selo teve início mais de 100 famílias gaúchas deixaram de produzir vinho devido à falta de flexibilidade da proposta e foram fazer suco pois precisam pagar as contas. Dessa forma a identidade do vinho brasileiro ficará cada vez mais alinhada aos interesses dos grandes e perderemos todos pela falta de diversidade. No final desta tragédia perderá o consumidor que gosta de vinhos finos e o vinho brasileiro no longo prazo. Fiquem com sua visão e tempo mostrará quem tem razão.

      Perdi a razão na discussão por ter me excedido. Peço desculpas por ter me exaltado com o autor do blog pois prezo pela boa educação e respeito no trato às pessoas. Esse assunto me enerva em sua essência porém, na internet, da mesma forma que pode-se falar o que quer também precisamos estar abertos a críticas, preparados para discordâncias e também a ler e refletir sobre o que não gostaríamos.

      Se há alguém fazendo pouco caso de alguma região do Brasil, esse é o Ibravin, que só tem Brasil no nome pois na prática defende os interesses e é financiado pelos grandes produtores do Rio Grande do Sul.

      Cordiais saudações

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  5. Obrigado pelo apoio Eduardo!

    Realmente, temos o direito de ter opiniões distintas e manifestá-las, porém, não de insultar e nem pre julgar o próximo.

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  6. Herbert Bierwagen5 de março de 2012 12:40

    Olá Leandro!

    Parabéns pela militância em favor do vinho `` Made in Brazil``.

    Gostaria de complementar suas colocações destacando a frente maior desse trabalho de consolidação do vinho brasileiro de qualidade que é a acertadíssima campanha ``Vinhos do Brasil``. Posso estar equivocado, mas tenho a impressão de que possamos estar um tanto acomodados na boa taxa de crescimento do nosso vinho, a qual também se deve ao forte crescimento econômico nacional, em especial da chamada classe C. A afirmação do vinho brasileiro como produto competitivo e de qualidade destacada é a melhor vacina contra o produto importado. E vejamos bem, até mesmo o termo que eu utilizei`` contra`` não cabe bem no contexto! Sabemos, todos nós, que amamos e respeitamos o vinho, que ele é um produto de complementaridade. Jamais haverá no mundo moderno espaço para reservas de mercado! O consumidor``puxa`` a diversidade! Claro, mediante a qualidade que é pressuposto básico. O que todos de bom senso defendem é sim a competição justa. Competição em termos análogos, sem dumping, que seguramente a Presidente Dilma irá dar amparo, assim como todos os profissionais de reputação, que desejam ver excelentes vinhos brasileiros preenchendo fatias cada vez maiores nas lojas e adegas do mundo todo, num patamar de respeito ao qual fazem jus.

    Longa vida ao vinho brasileiro de qualidade! E nunca nos esqueçamos da maravilhosa campanha que temos nas mãos, Vinhos do Brasil!

    Saudações baquianas!

    Herbert Bierwagen
    Sommelier

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    1. Olá Herbert!

      obrigado pelo apoio e pela parabenização.

      Realmente sou um defensor da nossa vitivinicultura e prezo também pelo justo, não vou ser hipócrita e nem contra vinhos importados, os quais eu mesmo consumo e vou continuar consumindo, sendo todos selados e pelo preço justo.

      Mas acredito no potencial de um setor que está fazendo por merecer, de forma organizada e está sendo injustiçado com a concorrência de forma desleal internacional. Estamos num momento crítico, precisamos de profissionalização do setor e investimentos sérios além de amparo governamental.

      Um brinde aos vinhos do Brasil!

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  7. A questao é muito simples. Nao queremos tomar vinho nacional. E nao vamos tomar. O problema nao esta na concorrencia, preço, mercado etc. Esta no fato de que o vinho brasileiro nao vale a pena em termos de custo beneficio (com exceção dos espumantes). A qualidade nao equivale ao preço. E mesmo que equivalesse, nós, apreciadores, queremos e temos o direito de variar. Ha muita casta, safras, paises, terroirs a serem experimentados, comparados. Ai esta a essencia do vinho. Vinho nao é calçado, tecido, automovel. Sua fruição nao é mecanica e espontanea. O problema de vcs esta longe de ser ignorancia, embora pareça. É ganancia. Nacionalismo passou longe. Impera a logica do capitalismo. Lucro a qq custo. Patética é a posição dos produtores e simpatizantes do vinho nacional: ir chorar pedindo para o governo federal ajuda para vender seu produto encalhado que ninguem quer comprar. Tenham vergonha e parem de se rebaixar apelando deste jeito. Isto nos (vos) torna motivo de chacota la fora. Que realização pode haver em saber que o consumo do vinho nacional aumentou nao porque o vinho é bom, mas sim porque o concorrente importado ficou mais caro...?? Ridiculo. Isto so atesta que o sentido destas ações nao esta no apreço pelo vinho, mas sim no ganho a qq custo. Se um dia eu não puder pagar pelo vinho que EU QUERO TOMAR, vou tomar cerveja.

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    1. Caro João Henrique,

      entendo o que dizes, também sou apreciador de vinhos de diferentes terroirs, prezo por qualidade e gosto de experimentar vinhos diferentes de regiões e características diferentes.

      Concordo que o vinho brasileiro, normalmente não esteja a altura de outros,porém, há exceções, principalmente em vinhos jovens, os quais temos alguns muito melhores do que outros de fora, nesse segmento.

      Mas a questão da salvaguarda não está em tornar o vinho importado mais caro, nem em vender os estoques aumentando o preço da concorrência, mas sim, em tornar os preços desses produtos justos tendo em vista os ocorridos citados no texto, como "dumping" ou políticas assimétricas.

      Será julgado se essas práticas estão sendo danosas à produção brasileira e, se favorável, será dado um prazo de salvaguarda, cuja meta é, justamente, concorrência a preços justos, sem dumping, sem políticas assimétricas e sem sonegação de impostos ou descaminho.

      então a opção por vinho nacional ou importado não será feita pelo preço, mas sim pela qualidade e custo benefício, se o vinho importado for tão superiormente bom, merece que se pague o preço por ele.

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  8. Caro Leandro. O q significa tornar o preço do vinho importado justo? O vinho no brasil já é caro demais. É injusto por ser caro e restrito a uma classe x. Não estou falando dos argentinos e chilenos vendidos a preço de banana e q nao possuem qualidade. Estive recentemente nos eua e vinhos europeus q aki custam na faixa dos 80-120 reais lá paguei entre 10-15 dolares. E num supermercado! O vinho atravessou o atlantico tem o lucro de uma serie de gente embutido e custa 3 vezes menos q aki! Ou seja aki ta caro e não barato. Além do chamado custo brasil e da burrice do brasileiro q paga pelo q nao vale (veja o ex dos automóveis aki comercializados e da resposta q um executivo do segmento deu - carro no brasil custa caro pq o brasileiro paga) os importadores faturam e muito. O que vcs entao esperam? Q o vinho seja ainda mais caro? Isso seria o valor justo? justo p quem? Tem alguma coisa errada nesta história. Enquanto é, por um lado, unanimidade q o vinho importado no brasil é muuuiiiito caro (perto do q custa lá fora), vcs defendem q por não possuir preço justo (traduzindo, por ser barato) os nacionais nao conseguem competir. Percebe q não bate?. -

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  9. Continuando. Nao da p pagarmos mais, seja pelo vinho nacional seja importado, tenha ele qualidade ou nao. o problema é q mega empresarios do vinho nacional querem fazer dele um meganegócio e para isso claro o vinho nacional tem custar muito mais do q vale. É neste momento q ele perde p importado, q ja é caro. Para a grande maioria dos brasileiros apreciadores, pagar 50 reais por uma garrafa de vinho é luxo. Se fosse uma por mes, tudo bem. Eu p ex tomo de 3 a 4 garrafas por semana. Faça as contas. Volto a dizer, q tem interesse e força política p o lobby em questão são mega empresarios do setor. Mas vinho nao combina com mega negócio. Não é cerveja. Com exceção dos vinhos franceses e italianos de grife, q movimentam muito dinheiro, vinho lá fora nao torna ninguém milionário.

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  10. Penso q por umlado, o brasileiro precisa de informação, precisa conhecer o vinho. Precisa ser educado na cultura vinho. Isto sim fará a diferenca na hora de escolher por um vinho de qualidade, seja ele nacional ou não. Por outro lado, o custo do vinho no pais precisa baixar, para se tornar acessível a um número maior de consumidores. De um lado ou de outro, as medidas em voga vao na contra mão.

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    1. Olá João Henrique,
      interessante teu ponto de vista,

      te dou razão em vários aspectos, mas descordo de alguns.

      É fato de que vários vinhos de vários países já tem um preço extremamente elevado, porém como citei anteriormente, 36,6% das importações de vinho pelo país são de chilenos, desses como tu citou e, certamente, serão os mais afetados e os mais danosos a nossa indústria, motivação para a salvaguarda.

      Quanto aos vinhos europeus vendidos muito caros no Brasil e com lucro extremo de importadores e restaurantes, esses o Brasil praticamente nem concorre, nosso país só possui vinhos jovens, no máximo 8 anos, mas normalmente muito menos que isso, inclusive pelo seu potencial de guarda. Porém, a salvaguarda atingirá todos durante esse prazo, não dá para fazer uma regra para cada ou restrições a alguns, todos pagarão por alguns.80% dos vinhos comercializados no Brasil estão na faixa de até 18 reais, onde será maior o impacto, portanto.


      Realmente vinho no Brasil é muito caro, tem o do custo Brasil e os impostos que são altíssimos e sou a favor sim da redução. Os empresários brasileiros não tornam o vinho caro, o governo e a situação o torna. O custo de produção do vinho no Brasil devido a impostos, logística e dificuldades no cultivo da uva, o tornam muio caro quando comparado a outros países, ele pode até custar mais do que vale em alguns casos, mas, certamente, não é por vontade dos produtores nem por ganancia. São estudos comprovados de custo de produção do vinho. Para o produtor de vinhos do Brasil, cada garrafa custa 30% a mais que na Argentina, Chile ou Uruguai, isso sem contar os custos até chegar ao consumidor final.

      Por último, concordo contigo em relação à informação, com a devida educação na cultura do vinho, os consumidores não irão se iludibriar por preços baixíssimos ou por achar que um vinho chileno, apenas por ser do Chile, é melhor do que um brasileiro, mesmo estando a preço de banana como tu definiu e entrando no país por dumping. Está previsto na agenda estratégica do setor de vinhos, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2010-2015, investimentos nesse e outros vários contextos, a salvaguarda, por si só, sem esses investimentos, não seria suficiente.

      A salvaguarda é de caráter imediato, com uma duração de no máximo 3 anos, não se está aumentando o preço dos importados eternamente, é apenas uma medida para por as coisas no lugar e depois voltar tudo ao normal, da forma que deveria ser e, infelizmente, nesse meio tempo, haverá alguns inocentes prejudicados, pagando por vários culpados, por vezes, inocentes e culpados da mesma pátria, o que dificulta ações específicas.

      Do meu ponto de vista, da produção, vejo como uma medida de caráter emergencial, uma forma chata, mas, necessária para que o setor produtivo de vinhos, que vem crescendo e com muito investimento, não seja engolido por ações assimétricas do mercado internacional e dumping, uma das poucas formas de salvar a nossa indústria. Uma outra seria redução de impostos ou incentivos fiscais,que também seriam medidas protecionistas, porém, diversos setores do país brigam por isso e não há sucesso, sendo assim, temos que brigar com as armas que temos. Se conseguimos apoio do governo para uma salvaguarda, prevista pela organização mundial do comércio em caso de dumping e etc, independente da questão dos impostos de cada país, vamos lutar para não deixar nosso setor produtivo ser esmagado, e vamos lutar dessa forma, que é a que conseguimos e valerá a pena.

      obrigado pelo comentário,
      à disposição,
      Leandro Ebert

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  11. Leandro,
    Nao tenho duvidas de que a medida será implementada. A salvaguarda vai sair. Quem duvida? Aumento de impostos e da arrecadação é com nosso governo.
    Acha que vao perder esta oportunidade? Nao se iludam que estao preocupados com vcs. Tanto qto nao podemos nos iludir que vcs estao preocupados com vinho em nosso pais.
    Ainda sou da opiniao que esta medida é arcaica, do seculo XIX. Será um tiro no pe.
    Nao vai mudar nada, vcs vao gastar tempo e dinheiro a toa, investindo em "melhorias" (se é que vao investir em alguma coisa) e os nossos habitos nao vao mudar. Mudara isto sim a forma como vemos o vinho nacional. Sinceramente, eu por ex., peguei raiva.
    E o que é pior: como neste pais tudo que é ruim para nosso bolso, bom para o governo e provisorio, se torna definivo, nunca mais a situação voltara ao que era. Lembre-se do aumento do IR de 25 para 27,5%, da CPMF (agora reeditada no aumento do IOF, cujo prazo ja foi estendido), do IPVA...
    E se a praga pegar, este aumento de impostos previsto ainda sera estendido para os vinhos nacionais.
    E nós vamos tomar cerveja. E os que tomam vinho de mesa (que vcs mesmos produzem...), vao continuar tomando vinho de mesa.

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  12. Para a salvaguarda sair, tem de ser provados os danos e políticas assimétricas, creio que irá sair sim, pois há provas suficientes para isso.

    quanto à questão de ser provisória, não tem como não ser, é uma questão diferente de um aumento de impostos normal, como CPMF ou esses que tu citou, os quais são realmente um abuso. Já tivemos medidas de salvaguarda para brinquedos, que também já foi extinta pelo prazo e, não depende do nosso governo, já que pela OMC, é permitido um prazo máximo de 3 anos.

    As melhorias e os investimentos serão feitos, o plano de ajuste do setor, a ser implementado no caso de aplicação da medida já foi apresentado e trata de questões como área plantada, produtividade, investimentos, redução dos custos, qualificação dos produtos por meio de inovações tecnológicas e programas de propaganda e marketing.

    A grande massa consumidora, de vinhos de até 18 reais, vão tomar vinhos importados sim, mas também brasileiros, vão decidir por qualidade e questão de gosto, na prateleira, mas o nacional estará competindo de igual para igual.

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  13. Oi Leandro,

    Acho simpático que você está apoiando o produto nacional, mas acho que essa é uma medida que não vai realmente ajudar. Penso que há outras maneiras melhores. Acredito que protecionismo só leva ao risco de prejudicar vendas de vinhos ou outros produtos brasileiros no exterior sem trazer beneficio.

    Vou explicar mais: O que para mim não parece correto no seu texto é a explicação que países tradicionais estão fazendo 'dumping'. Não estou vendo ‘dumping’ nos vinhos da França, Espanha, EUA, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul etc. O que só estou vendo é que os vinhos importados normalmente tem o dobro do preço no Brasil comparado aos EUA.

    O mais barato australiano Yellowtail com preço normal de 35 reais e na venda especial de 29 reais (vendido em torno de equivalente de 11-12 reais no EUA e Austrália) certamente não é dumping. Acho que não existe vinho de África do Sul no Brasil abaixo de 30-35 reais, óbvio que não é dumping. Da Nova Zelândia o mais barato deve ser em torno de 50 reais. Sei que isso não é dumping. Da França seria talvez um representante mais barato que podemos obter é o vinho JP Chenet, mas esse é um vinho barato no mundo inteiro, certamente não um caso de dumping no Brasil, vendido no varejo na França em torno de 2,50 euros e aqui em torno de 19-24 reais. (Na verdade acredito que o vinho não é tão popular e não traz suficiente custo beneficio). De Portugal podemos encontrar nos supermercados Porca da Murça por um preço em torno de 24 reais. Esse é um vinho vendido por 2,53 euros em Portugal. Também não é dumping, simplesmente um vinho barato que no Brasil virou não tão barato assim.

    Não acredito que mesmos os mais baratos como JP Chenet, Yellowtail, Porca de Murça etc, são uma ameaça de qualquer forma aos produtos nacionais. Os exemplos acima são os vinhos mais baratos, mas é muito mais comum que os preços de vinhos desses paises começam em torno de 35-45 reais, e se for um vinho de um pequeno produtor e com boa qualidade normalmente aumenta mais ainda. O que existe no mundo inteiro é que há produtores grandes que conseguem fornecer vinhos em grande escala com menor custo. Um bom exemplo de bons vinhos nacionais de baixo custo são Almadém. Fica impossível para menores produtores competir com isso e acontece em todos os países que produzem vinhos, mas os pequenos produtores com sucesso focam em qualidade, não só tentam bater os preços de vinhos de supermercado. No Brasil há vários bons exemplos disso também, produtores pequenos ou médio porte com alta qualidade, que acredito não estarem preocupados se existe um vinho do Uruguai no supermercado por 11 reais ou não, isso simplesmente não é mercado deles.

    De outro lado, alguns vinhos importados realmente baratos são do Uruguai, Chile e Argentina. Vinhos vendidos nos supermercados onde o preço na importação é perto do valor das rolhas, cápsulas, rótulos e garrafas. Para pequenos produtores isso seria o verdadeiro problema, não França, Portugal, Espanha, Austrália ou África do Sul. A medida não vai mudar nada com as importações do Uruguai e Argentina. Se no final de todo esse processo os vinhos da Europa que custavam 40 reais no varejo agora vão custar 80 reais, será completamente irrelevante para um pequeno produtor na Serra Gaúcha. Isso não vai ajudar em nada se o consumidor continuar a comprar Ariano ou Medrano (ou Almadém) por 11 ou 12 reais.

    Com certeza os problemas dos produtores menores são mais ligados ao custo de capital no Brasil. Para conseguir uma pequena fortuna produzindo vinho, você precisa começar com uma grande fortuna. São os mesmos problemas em todos os países do mundo, só que Brasil tem os mais altos juros do mundo. Acho que o foco deve ser diferente, apoio do governo aos produtores pequenos com capital barato.

    Ao mesmo tempo é bom lembrar que protecionismo gera protecionismo de volta, por isso os mais afluentes países do mundo tem o mais livre comércio possível.

    Abraços
    Ulf

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  14. Olá Ulf! obrigado por comentar,

    concordo contigo em relação a vários vinhos citados, realmente o maior problema e com dumping está na américa do sul, e o acordo do mercosul não permite estender essas medidas a eles. Porém, quanto ao Chile, maior atingido e responssável por 36,6% das importações pelo Brasil, temos um acordo, mas ainda sim pode-se tomar alguma medida, mesmo que seja por estabelecimento de cotas. Se a OMC permitisse o ideal seria uma salvaguarda exclusiva ao Chile, e já daria bons resultados.


    diferentemente de outros e concordando com as instituições que representam o setor, cito o que já disse antes: o ideal seria redução de impostos ou incentivos fiscais,que também seriam medidas protecionistas, porém, diversos setores do país brigam por isso e não há sucesso, sendo assim, temos que brigar com as armas que temos. E a salvaguarda é uma medida em que conseguimos apoio do governo, uma medida chata, mas que se presenta como uma eficaz e viável forma de recuperação. Alguns produtores mundiais que não tem nada a ver com a história vão pagar pelos que praticam dumping. Cabe ao Mdic julgar essas práticas e os danos, lembrando ainda que os países atingidos podem recorrer futuramente. Se for comprovado que o que há de dumping é danoso ao Brasil é legitimado o processo de salvaguarda e definido o prazo, além de ser analisado o projeto de recuperação enquanto vigora a salvaguarda.

    O que acho errado nas maiores críticas está em dizer que a salvaguarda tornará o vinho mais caro, a frase é usada como se fosse uma medida permanente e não é. Será feito isso por um prazo que será dado através da análise dos danos e do projeto de recuperação, se o projeto for consistente darão um prazo maior, de no máximo 3 anos para investimentos em recuperação do setor, dentre eles, marketing para aumento do consumo.

    Enfim, o que há é uma situação crítica em que as instituições e governo estão tomando decisões diante dela, decisões que provocam discórdia, mas que são tomadas com um embasamento, outros governos, em seu lugar, tomariam decisões diferentes, mas eu as vejo como uma boa alternativa e, que com o plano de recuperação das instituições responsáveis tende a dar muito certo, mas isso como alternativa à redução de impostos, que todos somos a favor mas que no Brasil precisa de uma revolução fiscal e que é necessária não só nos vinhos, mas em todos os setores, como a gasolina que tem 104% do preço bruto.

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  15. Oi Leandro,

    O problema é que a medida, como você mesmo falou, é injusta e prejudica produtores sérios em outros paises, sem resolver nada para pequenos produtores nacionais os produtores nacionais de vinho de mesa. Imagino que é por isso que vários produtores nacionais como Vallontanto Vinhos Nobre, Cave Geisse, Vinhos e Espumantes Adolfo Lona são contra e por isso Salton não apóia mais a medida de salvaguarda e em vez disso é favor de livre escolha dos consumidores.

    Se a preocupação realmente seria de vinhos importados com preços baixos, seria simples são focar de vinhos que são vendidos por 10 ou 11 reais.

    Mas aumentar impostos para todos os vinhos importados fora de Mercosul prejudica os consumidores que gostariam de beber no mesmo tempo, por exemplo, Quinta de Seival Castas Portuguesas e um vinho do Côtes du Rhône. Fazendo essa garrafa de vinho de Rhône (junto com todos outros vinhos importados) ter um preço astronômico, não tem justificativo, e vai simplesmente estragar imagem e o prazer de beber a garrafa de vinho nacional.

    Um abraço
    Ulf

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  16. acima: ... seria simples só focar de....

    Abraços
    Ulf

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    1. Caro Ulf,

      a questão é que não está previsto pela OMC esse tipo de foco e direcionamento, as medidas legais que o Brasil pode tomar seriam essas.

      Não gosto de citar nomes, mas quanto à vinícolas brasileiras que são contra, devemos considerar seus interesses, algumas são importadoras e mantém sérias relações, por vezes sócias ou produtoras, com Chile e Europa, portanto estão em um outro barco. Outras têm como carro chefe os vinhos espumantes, que é um caso aparte, estão auto- protegidas pelas condições agronômicas que temos aqui para produção de qualidade. Assim, fica fácil aproveitar o momento para ganhar simpatia e promover a marca, além de defender seus reais interesses sem os manifestar claramente...Não estou acusando ninguém, só estou lembrando que devemos ter cuidado ao analisar, trata-se de uma medida que mexe com interesses econômicos, uma "briga de cachorro grande".

      Quanto às vinícolas pequenas, creio que estas serão as maiores beneficiadas sim, pois no plano de recuperação estão previstos investimentos em modernização do parque vitivinícola, melhorias e aumento da assistência técnica e várias outras, que não influenciarão quem já é moderno e possui assistência muitas vezes internacional. O vinho de mesa tende a ser gradativamente substituído por suco, com um mercado em extrema expansão, e por vinhos finos, o que agregaria valor aos produtos da agricultura familiar.

      é por isso que outras empresas que trabalham em forma de cooperativismo, ou que os órgãos que representam mais de 90% dos produtores estão a favor e defendendo a causa. Por outro lado, é claro que grandes produtoras também terão benefício, pois ambas, pequenas e grandes, fazem parte do mercado e de segmentos.


      parabéns Ulf, pela discussão coerente e inteligente, diferente de outros e outras situações intolerantes.

      Leandro Ebert

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  17. Oi Leandro,

    Concordo, melhor conversar de um jeito civilizado. Minha opinião é que o suporte para produtores nacionais pode ser de maneira mais coerente e justa. Penso que a indignação de alguns é porque a medida realmente não é justa.

    Seria possível fazer todo o suporte que você está mencionando para cooperativas e pequenos produtores sem protecionismo. Seria um grande passo se o vinho nacional foi visto como alimento, não bebida alcoólica e com redução de impostos. Seria possível também apoiar com capital e investimentos, sem entrar em uma guerra com outros países, que há grande risco de só prejudicar o Brasil. As vinícolas européias já estão alarmadas e pedem ajuda de Bruxelas. Ninguém sai ganhando nessas brigas de comércio exterior.

    Entendo seu apoio, se realmente fosse verdade que o mundo estivesse enviando vinhos para o Brasil de maneira injusta e com preço baixos. Mas não é correto que produtores da Europa, EUA, Austrália ou África do Sul estão fazendo dumping no Brasil. Lendo o texto apresentando os motivos salvaguarda, é fácil pensar nisso da maneira que foi colocado.

    Não é coincidência que estatísticas e preços de vinhos da França, Espanha, Portugal, Alemanha e Estados Unidos não foram mencionados, Leandro. Ao contrário, o exemplo usado no texto dos peticionários são os preços da Itália em 2010. O que tem de barato na Europa é exatamente Lambrusco, das 1,3 milhão de caixas de vinho italiano importados em 2011, 840 000 caixas foram Lambrusco. Interessante também ver que o ano de 2010 foi escolhido como exemplo, que não representa a situação atual. Lambrusco é barato no mundo inteiro, nada especial para o Brasil. Fica duvidoso e tendencioso comparar custo nacional de produção de,vinho com preços de Lambrusco, e escolhendo um ano antigo.

    Devo também explicar que nos casos dos vinhos muito baratos que falamos anteriormente do Uruguai, Argentina e Chile, vendidos nos supermercados por 10 reais, o preço FOB fica em torno de US$ 1. Um vinho de US$2 FOB de Europa, é vendido no varejo no Brasil em torno de R$ 24, e um vinho por US$ 2,5 FOB vendido por R$ 30.

    Segue abaixo a estatística:

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  18. Preço em media FOB por garrafa, fonte Uvibra

    Importação de vinho 2010

    1. Itália, US$ 1,808
    2. Urugai US$ 1,927
    3. Chile US$ 2,07
    4. Argentina US$ 2,305
    5. Portugal US$ 2,777
    6. África do Sul US$ 2,795
    7. Alemanha US$ 3,057
    8. Austrália US 3,434
    9. Grécia US$ 3,469
    10.Espanha US$ 4,028
    11.Estados Unidos US$ 4,866
    12. França US$ 5,032


    Importação de vinho 2011

    1. Uruguai US$ 2,065
    2. Itália US$ 2,213
    3. Chile US$ 2,392
    4. Austrália US$ 2,558
    5. Argentina US$ 2,645
    6. Portugal US$ 3,089
    7. África do Sul US$ 3,1548.
    8. Alemanha US$ 3,536
    9. Estados Unidos US$ 3,563
    10. Grécia US$ 3,78
    11. Espanha US$ 4,191
    12. França US$ 5,163


    Como é muito fácil para produtores da Europa demonstrar os fatos e os preços nacionais para comparar, vai ser visto como uma medida sem legitimidade, e União Europeia com certeza vai entrar nessa guerra. Isso é péssimo para o Brasil.

    Jancis Robinson, um dos mais influentes avaliadores de vinhos na Europa, já escreveu como o Brasil está demonstrando a cara feia de protecionismo. Também não é uma imagem benéfica para vinícolas brasileiras na Europa.

    Se a intenção é ajudar produtores pequenos ou cooperativas com vinhos na linha de entrada no mercado, os vinhos jovens com preço acessível, a medida não vai ter efeito. O resultado vai ser uma diminuída de vinhos chilenos e Lambruscos italianos, mas uma invasão de vinhos argentinos e uruguaios que não vai ajudar cooperativas e pequenos viticultores em nada.

    Especialmente no Brasil há uma divisão entre de um lado vinhos vendidos nos supermercados e de outro lado vinhos vendidos em restaurantes e lojas de vinhos. No mercado de vinhos para lojas de vinhos e restaurante, não há Lambrusco e garrafões. Nesse segmento são vinhos acima de US$ 2,9-3 FOB por garrafa ou em torno de 35 reais no varejo, que não são vendidos nos supermercados. Eu acho injusto que com a salvaguarda o consumidor não vai ter disponível vinho importado com preço justo, bloqueado com quotas. Assim criando uma ira e implicância do consumidor contra vinho nacional e uma guerra comercial do exterior. Não parece um bom caminho.

    Abraços
    Ulf

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  19. Olá Ulf,

    A questão do suporte sem as salvaguardas, é que talvez durante esse tempo os investimentos não teriam retorno e, talvez nem depois, devido às crescentes taxas de importação, sendo assim, dificultaria em muito viabilizar tais investimentos.

    Quanto à briga comercial, não começou hoje e também não com os vinhos, a união europeia possui várias políticas que dificultam os produtos brasileiros de entrar lá, EUA também, e até argentina, do Mercosul, está com restrições às importações oriundas do Brasil, o Brasil na verdade só esta respondendo nos vinhos, a uma briga que já está instalada em outros setores, portando a ideia de que protecionismo gera protecionismo é verdade, e por isso o Brasil tb está implementando e exigindo respeito no mercado internacional, pois também temos esse poder de barganha.
    Quanto aos dados, a União Europeia pode e deve se manifestar,se for comprovado que não tem nada anormal, fica inválida a proposta do Brasil, é simples, sendo assim, se temos tanta certeza de que está errado, não precisa se preocupar porque não será aprovada. A questão é que sou a favor da abertura do processo, se amanhã sair o resultado do Mdic de que não há provas suficientes, tudo bem, é compreensível, mas se for comprovado, é justo que se instale o processo, esse é o meu modo de ver. Há órgãos competentes para isso, tanto dentro do Brasil quanto fora, que podem medir as justificativas e as consequências, a relação custo-benefício da salvaguarda.

    A legitimidade do processo está declarada, agora está sob avaliação, nos resta aguardar a decisão,

    att,
    Leandro Ebert

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  20. Oi Leandro

    Concordo que é triste o protecionismo de todos os lados, e que existe ainda na Europa, EUA e Argentina. A intenção nas negociações para livre comercio em geral é a ideia de diminuir isso, para o bem de todos.

    Vi depois que na verdade misturamos, ou pelo menos eu, um pouco as diferentes medidas, antidumping e salvaguarda. Em questão de antidumping o comércio desleal precisa ser provado de maneira bem especifica, mas em questão de salvaguardas na verdade não é necessário provar isso. Salvaguarda pode ser feita mesmo com comércio leal de outro países. Então, não vai mudar nada realmente se os preços dos diferentes países forem normais.

    Pensei que com os dados acima, talvez você poderia pelo menos reavaliar o argumento que o mundo está vendendo vinho barato aqui, que a estatística não confirma.

    Acho que não vamos concordar, mas mesmo assim concordo com seu brinde de cultura, e pode ser sim com um bom vinho nacional.

    Abraços
    Ulf

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  21. Olá Ufl,

    para a salvaguarda ser aprovada não necessita provar dumping, o que precisa provar é que as elevadas importações estão sendo danosas à indústria nacional, bem como as políticas assimétricas, então tem que ser tudo avaliado, inclusive se o plano é consistente, de recuperação, e ainda os países atingidos podem apresentar defesa, como a união europeia que tu mesmo citou....

    Eu acredito que seria muito proveitoso ainda a salvaguarda, vejo principalmente da américa do sul, sendo o chile o principal alvo... que movimenta milhões dessa forma, portanto, se isso for considerado suficiente somado às grandes taxas de importação e o plano de recuperação coerente e promissor, vejo como uma boa forma de recuperar o setor e alavancar de vez o crescimento, nos tornando grandes produtores. Acredito que os órgãos competentes irão avaliar o caso com profissionalismo e as estatísticas não comprovarem o posto no processo, ou ainda se a defesa anular os argumentos do Brasil, não será implantado.

    Mas como já disse, acredito que sim, será e será proveitoso e é legítima a salvaguarda para proteger nossa indústria, que com o aumento de importações pode, em breve, não ter escoamento da produção e inviabilizar os investimentos, correndo o risco de ser esmagada pela internacional.

    Abraço Ulf e sucesso!

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