Brindes de Cultura

Brindes de Cultura: Textos elaborados, dados concretos e opinião sobre Enologia, Vitivinicultura e agronomia

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Santa Maria, RS, Brazil
Acadêmico de Agronomia UFSM, atuando na área de Enologia e Vitivinicultura. Um homem de opinião.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Vinho emblemático do Brasil



      O Brasil já ganha destaque no cenário vitivinícola mundial e está no rol das grandes nações apaixonadas pela bebida mais antiga do mundo. O mercado consumidor em potencial do país atrai a atenção de exportadores e de tradicionais produtores mundo à fora. Em 2010 as importações de vinhos finos tintos, brancos e rosados totalizaram 70,74 milhões de litros, um crescimento de 26,8% em relação a 2009, segundo dados divulgados pelo IBRAVIN.



     Porém, a produção, no Rio Grande do Sul, de vinhos finos tintos, brancos e rosados descresceu 37,8% em 2010 em relação a 2009, conforme dados do mesmo instituto e a comercialização destes vinhos decresceu 35,34% para o mesmo período.
    O cenário é diferente para o mercado de vinhos espumantes produzidos no RS. Em 2010, conforme o balanço do IBRAVIN,  foram vendidos 12,5 milhões de litros de vinhos espumantes, um crescimento de 12% em relação a 2009. Enquanto, em 2010, as importações crescem 26,8%, a produção e as vendas dos finos produzidos no RS apresentam queda na casa dos 30% e a comercialização de espumantes persiste e aumenta 12%.
 
     Isso denota a qualidade dos vinhos espumantes brasileiros, uma bebida diferenciada, própria e com qualidade inquestionável, conquistando premiações variadas pelo mundo do vinho. Como no 11º Concurso Internacional Muscat du Monde, na França, onde um vinho verde-amarelo foi considerado um dos 10 melhores Moscatéis do mundo e ainda conquistamos uma medalha de ouro e cinco de prata. 

    



    O vinho espumante está para o Brasil como o Tannat para o uruguai, como o Malbec para a Argentina, e assim por diante. Somos capazes , em um aspecto geral, de ir muito além dos tintos, merlots, cabernets ou outro qualquer que seja, com as borbulhas. O mundo já bate continência à autoridade de nossos espumantes e, no Brasil, ainda prevalecem os vinhos tintos finos como os prediletos e, por vezes, ao criticar a produção brasileira esquece-se de considerar o que temos de melhor.  Os espumantes do Brasil merecem toda a atenção dos brasileiros para consolidarmo-nos como produtores de alto padrão enológico.
    
     

8 comentários:

  1. Essa ladainha do espumante é propagada por Chile e Argentina, dado que qdo vieram com força a partir de 2004, nao vieram com espumantes mas essencialmente com vinhos tranquilos, sendo depois premiados com a valorização do Real que faz até cascalho ser mais barato quando importado

    ... Inclusive o Moscato citado acima nem é espumante!!!!!! E, nota por nota, os vinhos estão tão bem como os espumantes na ponta de cima. Enfim, tomar muito cuidado com a estórias que os principais interessados nelas nos contam.....

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    1. Amigo anônimo,

      não preciso que me contem estórias, tenho plena capacidade de provar eu mesmo,
      e como estudioso de agronomia conheço bem as aptidões edafo-climáticas das regiõs do Brasil. O moscato citado é um exemplo da aptidão para cultivares brancas.

      Não estou falando de nota, estou falando de aptidão, que permite produzir vinhos de alto padrão com boa relação custo x benefício, há vinhos tintos bons no Brasil, mas o custo de produção é muito alto pelas dificuldades que aqui temos, e ainda, o potencial de outras regiões, já foi comprovado que é maior, pela insolação, horas de frio, menor umidade... etc. Te aconselho a ler outros textos aqui do blog, como "as condições agronômicas para o emblemático espumante brasileiro" e "o vinho brasileiro é bom?"

      talvez tu aprenda um pouco sobre a produção vitivinícola antes de dar supostas conclusões.

      e se quiseres comentar, favor indentificar-se, caso contrário o comentário será excluído.

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    2. ah! e pelo contrário, a estória que contam por ai é de que o merlot é a uva emblemática... apenas por apelo comercial, sendo a, das comerciais a que menos mal dá.

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    3. Leandro, um enologo chileno super otimo como profissional uma vez me deu uma entrevista e falou que os produtores brasileiros deveriam olhar mais para as uvas naturalmente aromaticas, que dependessem menos do clima e solo. No caso ele explicitava a moscatel.

      Creio que comercialmente falando, para uma vinicola o negocio he investir naquilo que ano sim ano sim ano sim nao ha tanta variacao na qualidade da uva.

      Faz sentido? Dimelo tu ai agronomo!

      SDS, Blog Jr.

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    4. Olá,

      faz sentido o que ele disse,
      e na verdade dependesse menos de clima e solo porque essas uvas são mais adequadas para as nossas condições, então, é natural que ocorram menos problemas, menor custo e produção e um potencial intrínseco muito maior, mas há algumas outras também que poderiam ser melhor exploradaS. Cito como Branca o Riesling Itálico, que não é o Riesling Renano, que foi introduzida no brasil em 1900 e teve um ápica de produção na década de 70, justamente porque ela se adapta é é, de certa forma, simples de seer produzida nas nossas condições. Mas perdeu muito espaço na nossa viticultura sendo substituída lentamente pelas cv. top's no mundo. Como tinta cito a cabernet franc, uma cv. de ciclo intermediário e que é a mais constante para as nossas condições. Não é dificil de encontrar cabernets franc de excelente qualidade no Brasil.

      é issoa i! abraço!

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  2. gente, concordo com o autor. realmente nossos espumantes são fantásticos. fiz em erechim ano passado degustação com muitos do mercosul e gaúchos. ganhamos todas. destaque para campos de cima do meu Itaqui e cave geisse de pinto bandeira. somente gostaria de falar que temos de tratar tambem dos "tratamentos", eufemismo para aplicação excessiva de agrotoxico pelos produtores brasileiros. afirmo que isso faz parte da nossa cultura e tem de ser modificado. grato. A

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    1. Olá,

      grato pelo apoio.

      Creio que hoje o maior problema da vitivinicultura brasileira seja o controle fitossanitário, a forma que se usa o cobre, que causa enorme fitotoxidade e prejudica os solos a médio e longo prazo.

      Isso sem contar que as aplicações, além de serem abusivas são feitas de forma errônea, havendo pouca eficácia e eficiência das aplicações, principalmente nos quesitos operacionais, má regulagem dos equipamentos, ausencia de calibração e por ai vai, e ainda o uso abusivo de água para pulverizações...

      Creio que esse é o primeiro passo para alavancar a nossa vitivinicultura, sendo a nossa maior deficiência.

      abraço!

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  3. Pessoal,

    se puderem visitem o meu nosso site, o

    http://vitivinicultura.webnode.com

    estou postando apenas lá, textos novos e renovando alguns daqui, como é o caso deste que é um texto antigo que foi modificado e adaptado.

    abraços!

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